Y: Uma geração (quase) perdida

Gestores de previdência complementar receberam um duro alerta sobre sua incapacidade de envolver-se com brasileiros da Geração Y, de acordo com estudo elaborado pelo BNY Mellon associado a uma equipe de estudantes da Cambridge Judge Business School, da Universidade de Cambridge.

O BNY Mellon, um líder global em gestão de investimentos e serviços a investidores, trabalhou com a equipe da Cambridge para pesquisar o conhecimento da Geração Y acerca das opções que lhes são disponíveis, além de suas necessidades educacionais e de produtos. O relatório se chama “Geração Perdida: Motivando a Geração Y a Fazer Investimentos para a Aposentadoria.

O relatório entrevistou membros da Geração Y (nascidos entre 1980 e a virada do século) em seis mercados-chave: Austrália, Brasil, Japão, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos. Os pesquisadores entraram em contato com uma ampla amostra de pessoas da Geração Y: em mercados emergentes e desenvolvidos; em países com abordagem coletiva à aposentadoria e naqueles que dependem de um sistema “unit-linked” (planos que associam características de seguro e investimento, sendo em geral oferecidos por companhias seguradoras), assim como em países tanto com acesso a esquemas de pensão compulsórios como voluntários.

Pior que pais e avós – Os pesquisadores descobriram que muitos membros da Geração Y estão se deparando com uma aposentadoria menos confortável do que seus pais e avós, em razão de tendências demográficas, políticas e macroeconômicas. Ainda assim, muitos não estão cientes da realidade do futuro que os espera, de acordo com o relatório. Sua falta de conhecimento sobre questões financeiras parece ser resultado tanto da falta de instrução e informação quanto de interesse.

A pesquisa descobriu que 61% dos brasileiros da Geração Y não recebem qualquer informação financeira através das empresas onde trabalham ou das instituições de ensino. “Os brasileiros da geração Y são menos propensos a serem contatados tanto pelas empresas em que trabalham como pelas instituições de ensino sobre questões financeiras do que em qualquer outro país pesquisado”, disse Adriano Koelle, Chairman da América Latina e Country Executive para o Brasil no BNY Mellon.

Outras descobertas-chave incluem: 60% dos brasileiros da Geração Y estimam o tamanho do fundo de que necessitarão para a aposentadoria arriscando palpites, em vez de se basearem em dados da indústria, com um adicional de 31% dando um “palpite estudado”.

Menos brasileiros querem saber – De todos os entrevistados, 77% querem ser informados da “dura realidade” sobre suas finanças pós-aposentadoria. Contudo, as atitudes variam imensamente de país para país. Apenas 48% dos brasileiros da Geração Y estão interessados em conhecer a “dura realidade”, em comparação a 94% dos australianos;

Dada a oportunidade de escolha, entre todos os entrevistados, 95% acham que fundos de pensão e seguradoras oferecem opções limitadas, fracas ou nenhuma escolha em produtos de fato atrativos.

Sessenta e quatro por cento dos brasileiros da Geração Y poupariam mais se suas pensões permitissem múltiplos saques ao longo da vida.

“Sem uma nova abordagem, enfrentamos um risco real de que a Geração Y se torne a Geração Perdida – perdida tanto para o setor de serviços financeiros como em termos de sua própria preparação para a aposentadoria”, diz Paul Traynor, head de Seguros para Europa, Oriente Médio e África, Ásia e Pacífico & América Latina no BNY Mellon. “Os membros da Geração Y querem que lhes seja dita a verdade sobre o quão pobre eles poderão ficar na aposentadoria, se eles não começarem a poupar cedo. Eles precisam ouvir mais mensagens que confrontem, sejam honestas e realistas sobre os desafios a serem enfrentados no processo de garantir suas aposentadorias”.

“Investimento responsável deveria ser oferecido mais ativamente à Geração Y”, diz John Buckley, chefe global de Responsabilidade Social Corporativa no BNY Mellon. “O fato de as pessoas da Geração Y terem pouco conhecimento sobre investimento responsável atualmente não significa que eles não investiriam dessa forma, se lhes fosse dada a oportunidade. Para tal, empresas de serviços financeiros e fundos de pensão deveriam desenvolver e educar a geração Y sobre investimentos responsáveis e finanças, e tornar mais fácil para que eles aloquem uma porcentagem de suas poupanças para a aposentadoria nesse segmento. Uma abordagem tudo ou nada desmotivaria alguns investidores”.

Fonte: Diário dos Fundos de Pensão

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